SILVA, S. L.
Gestão do conhecimento: uma revisão crítica orientada pela abordagem da criação
do conhecimento – Revista de Ciência da Informação, Brasília, v.33, n.2, p.
143-151, maio/ago. 2004
O artigo analisado aprofunda
as ideias discutidas em um artigo anterior do mesmo autor sobre a gestão do
conhecimento. Aponta a importância da tecnologia da informação no acesso e
renovação do conhecimento e parte do pressuposto de que o trabalho com o
conhecimento advém da contínua conversão entre o conhecimento explícito e
tácito (p.143). O autor traz um enfoque sobre o lado operacional da gestão do
conhecimento.
Inicialmente ele versa sobre os parâmetros
para a inserção da gestão do conhecimento (GC) na empresa. Após, diferencia o
conhecimento em relação a dados e informação, falando a seguir sobre a criação
do conhecimento e os facilitadores do trabalho no formato tácito e explícito, bem
como sobre a aplicação da tecnologia da informação na GC, finalizando com as suas
perspectivas recentes.
Em relação ao primeiro
enfoque que são os parâmetros, identificam-se os organizacionais, os de
recursos humanos e o de sistemas da informação. Refletindo sobre o seu
pensamento (2000), reconhece que mensurar estrategicamente a aprendizagem
requer a utilização de um conjunto de diretrizes e recomendações básicas,
fortemente inter-relacionadas e válidas em qualquer gestão do conhecimento (p.144).
Ressalta que, embora exista
uma extensa literatura que diferencia conhecimento de dado e informação, não
existe um consenso entre os conceitos apresentados. Dispondo sobre o pensamento
de Tuomi (1999) assevera que os dados são pré-requisitos da informação e esta,
do conhecimento. A convergência entre todos os autores é a de que o
conhecimento é formado por informação (p.145). O conhecimento possui dois
componentes intrinsecamente relacionados: o tácito (subjetivo) e o explícito
(que pode ser transferido). É justamente na conversão desses dois componentes
que se encontra a essência da abordagem teórica da criação do conhecimento, como
releva o autor, existindo quatro modos de conversão: a socialização, externalização,
combinação e internalização.
A socialização é a conversão
de parte do conhecimento tácito de uma pessoa no conhecimento tácito de outra
pessoa (p.145). Ao se converter parte do conhecimento tácito do indivíduo em
algum conhecimento explícito, tem-se a externalização. Na combinação
converte-se algum tipo de conhecimento explícito gerado por um indivíduo para
agregá-lo ao conhecimento explícito da organização e na internalização há
conversão de parte do conhecimento explícito da organização em conhecimento
tácito do indivíduo (p.146). Eles vão se complementando, por isso estão
interligados.
Os principais facilitadores de
troca do conhecimento tácito são as redes de trabalho, também denominadas de
comunidades práticas, a capacidade criativa, que é motivada pelo ambiente
organizacional e a capacidade de aprender, tanto individual quanto
organizacional. De Garvin (1993), destaca que uma organização de aprendizagem é
aquela em que as pessoas têm habilidade de criar (externalizar), adquirir
(internalizar) e disseminar (socializar) conhecimentos (p. 147). Ressalta que
refletindo sobre esses conhecimentos, o que é possível por meio de uma
aprendizagem inovadora, podem-se modificar comportamentos.
Dentro os facilitadores do
conhecimento explícito tem-se a capacidade de construção de lessons learned, que seguem algumas
recomendações e o cuidado com as formas de melhor agrupar ou organizar estes
conhecimentos. Aqui entram as tecnologias da informação que vêm otimizar a
conversão do conhecimento.
O autor aponta que faz
sentido a aplicação da tecnologia da informação principalmente no conhecimento
explícito, pois ela é fundamental para agrupar esse tipo de formato, bem como a
sua externalização e internalização, descentralizando o conhecimento e
melhorando o grau de interatividade do usuário, contribuindo com a transmissão
do conhecimento (p. 148).
O uso da tecnologia da
informação passa por uma grande evolução desde o seu surgimento nos anos 70. Dos
ensinamentos de Salerno (1998), o emprego de sistemas de tecnologias da
informação deve ser condicionado às definições e escolhas da estrutura
organizacional, e não o contrário. Servem elas de apoio. Internalizar e socializar
são também conversões importantes na formação da memória organizacional,
ressalta o autor.
Voltando ao percurso da
tecnologia da informação, a partir dos anos 90, com a internet e intranet são
vistos novas modalidades de aplicação da TI, possibilitando inúmeras formas de
acesso ao conhecimento explícito, a exemplos de grupos de discussão virtual,
treinamento virtual, formação de portais etc.
O autor cita também o
sistema EPR (Enterprise Resource Planning),
que de acordo com Davenport & Prusak (1998), procuram padronizar e
normalizar os diferentes setores e funções, facilitando o compartilhamento de
dados, informações e até conhecimentos (p. 149). Todos esses sistemas, de
acordo com Silva vêm permitir o gerenciamento dos conteúdos de conhecimento da
empresa.
As tecnologias da informação,
segundo o autor, juntamente ao trabalho com o conhecimento explícito têm atuado
em duas linhas que são interdependentes, no intuito de ampliar seu alcance na
gestão do conhecimento. São elas: na tecnologia centrada no indivíduo, cujo
foco principal está em facilitar o compartilhamento de interesses e
experiências pessoais; e na tecnologia centradas na máquina, que buscam
dinamizar o registro e facilitar a externalização, realizando depois a
combinação (p.150).
Artigo interessante, de
leitura agradável e que busca descrever a importância das tecnologias da
informação para a gestão do conhecimento, especificamente em relação à
abordagem teórica da criação do conhecimento. Retira-se dessa análise a
necessidade de adequação das organizações para que possam promover a
sistematização da gestão do conhecimento, que será facilitada, como bem disse o
autor, pelas novas tecnologias. Não cabe a ela, ou seja, à organização,
inclusive, outra escolha, até para manter-se competitiva, que não seja a de se
render aos encantos da implantação coordenada da gestão do conhecimento.
A autora conseguiu resenhar o artigo de forma objetiva e focada, capturando as principais idéias, conceitos e propostas exploradas pelo seu autor. Destaco também, a conclusão que fez, de cunho pessoal, quando registra "não cabe a ela, ou seja, à organização, inclusive, outra escolha, até para manter-se competitiva, que não seja a de se render aos encantos da implantação coordenada da gestão do conhecimento", com a qual concordo plenamente. Não obstante, considero que o esforço da síntese muitas vezes sabota a riqueza do conteúdo, daí ressaltar que, apesar das contribuições mais importantes feitas por Silva terem sido destacadas pela autora da resenha, algumas ficaram esvaziadas de sentido, por faltar um maior aprofundamento, à exemplo da não citação de nenhum dos principais parâmetros ou indicadores que deverão ser adotados por uma organização que deseje implementar uma gestão do conhecimento de alto desempenho, como também, poucos exemplos sobre os diferentes usos e aplicações da TI na gestão do conhecimento, uma vez que a proposta principal do artigo era exatamente apresentar o lado operacional da criação do conhecimento a partir das aplicações da TI no processo de conversões do conhecimento. No mais, a resenha cumpre satisfatoriamente seus objetivos.
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